O Cavaleiro Solitário (2013): adaptação não resiste à megalomania

Apesar desta superprodução dirigida por Gore Verbinski contar com um bom elenco, um visual incrível e uma ótima trilha sonora, seu roteiro não se sustenta e a dupla de protagonistas não funciona, com o filme se arrastando por suas intermináveis duas horas e meia de duração.

O-Cavaleiro-Solitario-poster-15Mar2013Westerns mostram personagens em situações extremas lidando com seus desejos e paixões em meio a ambientes hostis. Por isso são fitas tão atraentes de um ponto de vista cinematográfico, podendo até mesmo vir embaladas em outras roupagens, como ficção científica (“Serenity – A Luta Pelo Amanhã”) ou policiais (“Os Infratores”). O Cavaleiro Solitário foi criado nos anos 1930 para o rádio objetivando trazer esse universo para o público juvenil em aventuras mais simples, com o mascarado trazendo consigo bons valores e um código de conduta moral estrito.

Depois de um seriado para televisão, um filme oitentista tosco, várias HQs e um relativamente recente piloto fracassado, o herói agora chega aos cinemas em uma superprodução dirigida por Gore Verbinski, estrelada por Johnny Depp e turbinada pelos cofres da Disney e do produtor Jerry Bruckheimer. Esse “quarteto mágico”, responsável pelo sucesso de “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra”, também tem uma clara tendência à megalomania, motivo que levou este novo “O Cavaleiro Solitário” a desabar sob si mesmo.

O roteiro de Justin Haythe, Ted Elliott e Terry Rossio (os dois últimos, não por coincidência, responsáveis pelos guiões de todos os filmes da franquia “Piratas do Caribe”) aproveita os elementos básicos da mitologia do mascarado para recontar sua história. O jovem e idealista promotor de justiça John Reid (Armie Hammer) volta para sua cidade de fronteira no Texas durante a segunda metade do século XIX.

Parte de um grupo de busca para localizar o bando do criminoso Butch Cavendish (William Fichtner), ele e seu irmão mais velho, o Ranger do Texas Dan Reid (James Badge Dale), são traídos e emboscados pelo fora-da-lei. Único sobrevivente do ataque, John é resgatado pelo índio Tonto (Depp) e assume a identidade do Cavaleiro Solitário, buscando trazer a justiça ao velho oeste, cavalgando em seu fiel Silver ao lado de seu parceiro indígena e protegendo a família do seu falecido irmão.

Seria simples se o script seguisse esse rumo, mas Verbinski, Bruckheimer e sua trupe tinham outros planos. Não bastasse a narrativa ser contada por meio de flashbacks por uma versão idosa de Tonto, em um recurso problemático que visa apenas aumentar a participação de Depp na película, a trama se arrasta em meio a setpieces pouco memoráveis (com exceção do clímax), personagens dispensáveis (vide Red e seu cabaré), um triângulo amoroso mal desenvolvido e exageros de tom que, ora deixam o plotexcessivamente sombrio (como no canibalismo de Cavendish), ora o tornam tolo demais (todos os momentos de humor envolvendo Silver).

No meio de toda essa gordura, ainda temos uma dupla de protagonistas que raramente demonstra algum entrosamento. Tentando recriar o clima de animosidade que fez com que o duo Will/Jack funcionasse tão bem no primeiro “Piratas”, a relação de “amizade” entre o Cavaleiro Solitário com Tonto simplesmente não decola, com o primeiro soando como uma criança chata e o segundo como um louco sem graça por boa parte da projeção.

A recusa de John em usar uma arma durante a busca por Cavendish não é idealista, mas estúpida, algo que se repete por várias vezes no decorrer da fita e sabota o trabalho de Armie Hammer de estabelecer seu personagem como uma figura simpática. Fica difícil torcer pelo mocinho quando ele age como um imbecil. Uma cena em especial, quando o Cavaleiro abandona Tonto em meio a escorpiões venenosos, acaba com qualquer boa vontade que se poderia ter para com o herói.

Enquanto isso, Johnny Depp mostra-se praticamente onipresente, funcionando como narrador e protagonista, com seus excêntricos tiques de interpretação trazendo pouco encanto aqui. Por mais que a história de Tonto seja tocante e o massacre sofrido pelo povo indígena seja um tema que valha ser explorado, são elementos que não encaixam de maneira orgânica com o resto da história.

Enquanto isso, os vilões vividos por William Fichtner e Tom Wilkinson se atrapalham em meio a um plano elaboradíssimo, que envolve canibalismo sanguinário, o extermínio de uma nação indígena, ferrovias, mineração de prata, a conquista da esposa e do filho do irmão do herói e a dominação do país, complicando demais algo que deveria ser uma aventura de faroeste.

Assim como a versão de Cavendish vivida por Christopher Lloyd nos anos 1980 foi a melhor coisa daquela película, a interpretação de Fichtner como o antagonista é uma coisas que se salvam na fita, justamente por sua interpretação mais clássica de um “chapéu preto”. Mesmo assim, fica difícil suportá-lo em cena com sua transformação em um Hannibal Lecter do velho oeste, sem contar que seu bando parece ser formado por rejeitados da tripulação do Pérola Negra.

Quanto aos coadjuvantes, Helena Bonham Carter está tão deslocada em cena quanto sua Red na trama, Barry Pepper vive um capitão do exército cujas motivações para suas ações jamais ficam claras, Ruth Wilson se mostra um interesse amoroso absolutamente sem sal, Bryant Prince transforma seu Danny em uma das crianças mais irritantes da história recente do cinema e James Badge Dale, em curta e eficiente participação, nos faz desejar junto com Tonto que o filme fosse sobre seu Dan Reid e não seu irmão chato.

Gore Verbinski mais uma vez mostra seu amor pelos westerns ao nos brindar com paisagens magníficas, utilizando de maneira impressionante os imponentes cenários naturais de Utah, que remetem de maneira direta às obras de John Ford e Sergio Leone, devendo o público tirar o chapéu para ele e seu diretor de fotografia, Bojan Bazelli. Note-se ainda referências a pioneiros do cinema como Edwin S. Porter (“O Grande Roubo de Trem”, de 1903) e Georges Méliès. É uma pena que esse trabalho estético virtualmente impecável (que também inclui uma inspirada direção de arte e ótimos figurinos) se perca em uma narrativa tão atrapalhada, confusa e longa.

Hans Zimmer, por sua vez, presta homenagem ao maestro Ennio Morricone, com uma trilha melancólica que, tal como uma locomotiva, ganha força aos poucos, culminando no clássico tema do Cavaleiro Solitário, vindo da abertura da ópera “Guillaume Tell”, composta por Gioachino Rossini em 1829, único momento no qual a película realmente engrena.

Por mais bonito e bem produzido que seja, “O Cavaleiro Solitário” não aguentou o peso da megalomania dos envolvidos. É uma pena que tais excessos tenham matado o que poderia ter sido o renascer de um ótimo personagem nas telonas. Se depender desta empreitada, vai demorar muito tempo até que o grito de “Aiô, Silver!” volte a ecoar nas salas de cinema…

Thiago Siqueira é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.

Fonte : http://cinemacomrapadura.com.br

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